quarta-feira, 2 de julho de 2008

Trombare

Só pra reafirmar a minha volta, coloco um post de um texto antigo aqui... O título do post é a tal palavra que o Gianlu' falou naquela noite e que quando voltei pra casa já tinha esquecido

Eu estava numa festa chata. Que me desculpem os adoradores da Nuth, mas a música daquela noite ― a única em que me predispus a ir a “mais um lugarzinho da moda” ― estava chata, pra não dizer horrível.
Para salvar a noite, só mesmo os meus acompanhantes, Gianluca e Michelle, italianíssimos loucos para curtir a night carioca. Três ou quatro Miller depois, com o Michelle já perdido na pista de dança, resolvi pedir umas aulas de italiano com o Gianluca ― sabe aquelas aulas que você não encontra em livros, nem em curso, nem no Michaelis? Aquelas com palavras que ninguém ousa te explicar? Era exatamente isso.
Dada a minha falta de intimidade com o sujeito, comecei com uma palavrinha bem light:
― Gianlu, como é que se fala “transar” em italiano?
― Fare l’amore.
― Não... fazer amor, não... “transar”, mesmo...
― Fare il sesso.
― Não… “fazer amor”, “fazer sexo”… isso tem aqui… tô falando “transar”, mesmo…
― Ah, sei lá...
Faltou pouco para eu não falar pra ele que eu achava que “fazer amor” era muito romântico e “fazer sexo”, muito técnico... Mas achei melhor não entrar em detalhes. Depois de pensar um pouco, ele soltou alguma gíria italiana que, pra variar, eu esqueci. Mas o lance “amor: romântico” versus “sexo: técnico” ficou na minha cabeça.
Quando é que sabemos se estamos fazendo amor ou sexo, ou simplesmente transando? Quem é que estabelece quando começa um ou termina outro? Quem cria as regras?
Será que “fazer amor” realmente tem que ter amor no meio? Quando a gente termina um relacionamento, o amor que foi feito vira automaticamente sexo? Quer dizer, a denominação é ou não retroativa?
Lembrei então de uma figura que se irritava quando eu dizia que adorava transar com ele. Porque, pra ele, nós “fazíamos amor”, não “transávamos”.
Bem, na hora em que eu dizia isso para essa tal figura, “transar” englobava tudo, de “fazer sexo” ao melhor “fazer amor” do mundo. Tudo mudou na hora em que eu fiz a pergunta pro Gianluca. Naquele momento, “transar” foi para o limbo, eu simplesmente não conseguia definir. Opa! Outra pergunta: se a gente ama o cara, a rapidinha no banheiro durante o aniversário da sua melhor amiga é fazer amor?
E “fazer sexo”, então? Parece cartaz de educação sexual: “Faça sexo seguro!”. Realmente não me lembro de já ter dito a uma amiga que “Ontem eu e meu namorado fizemos um sexo maravilhoso”. “Fazer sexo” eu uso com a minha ginecologista: “Em quanto tempo eu posso fazer sexo sem camisinha depois que eu começar a tomar pílula?”. Com as minhas amigas, eu uso transar: “Então, você transaram?” ou “Não acredito que vocês transaram enquanto eu ia na padaria!”.
A verdade é que se a vida fosse feita só de “transar”, “fazer amor” ou “fazer sexo”, talvez se tornasse um pouco monótona... Bom mesmo é “transar”, “fazer amor” e “fazer sexo”, na medida exata em a cabeça, o coração e o corpo pedirem. E depois usar o termo que sentir vontade... e sem medo de saber como a outra pessoa vai definir o que foi feito!

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