terça-feira, 5 de agosto de 2008

Romeu, jogue suas tranças!

Verona – 31 de julho a 2 de agosto

Nunca fui romântica a ponto de viajar a uma cidade da qual a única coisa que sabia é que ali viveram Romeu e Julieta. Na verdade nunca dei muito crédito à história. Primeiro porque não sabia que a história era supostamente verdadeira. Segundo porque nunca pensei que Shakespeare, escondido no mundo bretão, teria notícia da existência de um casalzinho apaixonado escondido em uma cidadela italiana 300 anos antes dele sonhar em nascer. Em tempo: aqui na Itália, Romeu e Julieta são conhecidos, misteriosamente, por Giulietta e Romeo. Nessa ordem. É quase um teste psicotécnico ficar tentando inverter a ordem dos pombinhos.
Mas não estou muito convencida da existência dos dois. Em algum livro de literatura ouvi falar que Shakespeare se baseou na lenda (a esse ponto já não sei mais se é lenda) de Tristão e Isolda para escrever Romeu e Julieta. Sempre pensei que ele tinha ambientado a peça em “fair Verona” com o mesmo objetivo que alguns autores e roteiristas escolhem cidades “exóticas”para ambientar seus livros: quando contamos um história passada em algum lugar longínquo fica mais fácil acreditar que aquilo aconteceu de verdade – de fato, tendemos a acreditar no fantástico quando o transportamos a um mundo desconhecido. Levando em conta que a história foi escrita no século XVI, acho que essa crença em lugar longe igual a lugar maluco pudesse ser ainda mais forte.
Mas estão aí as fotos da casa da Julieta (Bella, essa é pra você mon amour!)


Entrada e varandinha da casa de Julieta.


Entrada do pátio da casa de Julieta, vista da varanda da casa dela.


Eu na varandinha da casa da Julieta.


A estátua da Julieta, quase monoteta, de tanta gente tirando fotos estúpidas como esta.


O golpe turístico econômico Veronese inclui também a tumba da Julieta. Localizada estrategicamente em uma ex-igreja. Já tinha ouvido falar em ex-marido, ex-padre, ex-católico, mas ex-igreja é o máximo! Finalmente a santa-sé largou algum osso. Só não consegui descobrir o motivo da igreja desconsagrada (é esse o termo que a senhorinha maluca que trabalha lá usou). O lugar é uma gracinha, com um jardinzinho mucho fofo, mas a tumba, que fica no porão, está muito mal-cuidada. O lugar é úmido, frio, escuro, cheio de mofo e, pra completar, nenhuma vigilância (vide foto abaixo).


Eu na tumba, literalmente.

No segundo andar existe um mini-museu nada relacionado com Romeu e Julieta e uma salinha onde acontecem casamentos. Diz aí: nada mais romântico do que casar no prédio onde Julieta (supostamente, mais uma vez) está enterrada. Grandes chances de seu casamento ter o mesmo gran finale que teve o dela... hehe.



Salinha dos casamentos. Detalhe: o casório é grátis.


Jardinzinho da ex-igreja.


Fachada da casa do Romeu, que não é aberta a visitação. Uma parte dela é uma osteria (qualquer coisa parecida com uma taverna portuguesa).

Mas não só de Romeu e Julieta vive Verona. Tenho mais algumas coisinhas pra mostrar.
Vamos começar pela Arena. Em algum lugar eu li que é a terceira maior arena romana da Itália, quiçá do mundo. Parece um mini-coliseu, com duas diferenças: a primeira é que está inteiraça. A segunda é que está toda estruturada para shows. E tem show quase todo dia, desde óperas até rock.


A arena de Verona fincada bem no centro da cidade.


Interior da arena, com palco preparado para uma ópera.

Também tem o Castelvecchio. Toda cidade medieval que se preza é igual ao Senhor dos Anéis: muros entorno, e um castelo com ponte levadiça. Esse é igualzinho.


Fachada do castelo (lado de dentro da muralha).


A ponte, a torre...


Fachada externa vista da ponte.


Pátio interno do castelo.

Em Verona também fica um complexo arqueológico bastante grande, que combina um teatro romano, funcionando nas mesmas bases da arena, uma igreja e um convento, ambos desativados.

Teatro romano visto do convento.

A caminho do convento eu finalmente entendi o significado do termo “clasura”: ele fica no alto de uma montanha. São alguns bons metros de subida por uma escada safada (alguns degraus tinham a mesma altura do meu joelho). Se debaixo do sol era já um inferno, imagina subir aquilo com neve... mas a vista lá de cima compensou. Em tempo: depois de ter subido até o convento a pé, descobri onde fica o elevador. Como diz o ditado, pra descer todo santo ajuda.



Vista de Verona a partir do convento.




Ok, passemos agora ao Giardino Giusti, traduzindo: Jardim Justos. Parece alguma coisa do poder judiciário, mas Giusti é sobrenome.

Entrada do jardim.


Panorama geral.


Fundo da aléia principal. No alto tem uma carranca que cuspia fogo de verdade.


Eu e a câmera com timer de novo. Viajar sozinha é um desafio fotográfico.


Labirinto!


Eu fingindo que to perdida no labirinto.


Moça que realmente se perdeu no labirinto.

Ok... por hoje é só... vou parar para começar a pesquisar a existência da Rapunzel, da chapeuzinho, da mula-sem-cabeça...

Um comentário:

Anônimo disse...

Lindas fotos!! Adorei Verona... bem "fair".
Aliás, vc tá BEM, hein? (me segurando pra não dizer que tá gostosa.)

Um show de imagens... um show de cobertura jornalístca e pró-investigativa.
Parabéns